Seu assessor de investimentos recomendou COE para você? Cuidado!

O COE é um dos instrumentos de investimento mais recomendados aos investidores inexperientes.

Ele promete exposição segura a novos mercados através de um único investimento, mas na verdade, quem ganha mesmo com eles são as instituições financeiras e os assessores, com gordas comissões.

Não é à toa que o COE é um dos produtos mais comercializados no mercado financeiro.

Corretoras, assessores de investimentos e agentes do mercado de capitais em geral enaltecem o produto.

Eles o apresentam como uma alternativa viável para as pessoas que têm aversão a riscos, mas que, ao mesmo tempo, desejam expandir seu capital no mercado. Já que o COE une operações de renda fixa e renda variável em um único produto financeiro.

A verdade é que esse investimento esconde altas taxas, baixa liquidez e até prejuízo real.

O COE gera conflito de interesses entre os assessores de investimentos e os clientes, pois é um dos produtos que mais paga corretagem no mercado.

Então, será que os COEs estão sendo oferecidos porque são a melhor opção para os clientes?

Ou porque remuneram melhor os assessores e instituições financeiras?

Descubra o que é COE e os cuidados com os conflitos de interesse que esse produto gera.

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O que é COE? 

COE é a sigla para Certificado de Operações Estruturadas, um produto de investimento que mistura ativos de renda fixa e renda variável em apenas um produto.

Ao investir em um COE, o investidor compra um mix de produtos com uma pequena parte em derivativos e o restante em renda fixa.

É essa renda fixa que vai garantir o patrimônio e passa a sensação de segurança para o investidor. 

Já a estruturação com ações e índices de ações, commodities, moedas, ouro, por exemplo, transmite sofisticação ao produto.

Assim, o investidor pode ter uma pequena exposição a moedas (como dólar, euro, etc.), índices (como o S&P 500,) ou ações de empresas estrangeiras (Google, Facebook, Nike, entre outras famosas), através do COE.

Já a outra parte está "segura", na renda fixa.

Apesar de ser bastante conhecido entre investidores, o COE é um produto relativamente novo no mercado.

Sua regulamentação no mercado brasileiro só entrou em vigor em 2014 e o COE passou a ganhar mais ofertas a partir de 2016 e 2017.

Desde então só cresce.

De acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), o mercado de COEs no país cresceu 180% em cinco anos.

As corretoras e seus assessores se esforçam para empurrar COEs aos clientes. 

É muito comum encontrar investidores com vários COEs na carteira sem entender direito o porquê o comprou ou sem saber o retorno esperado dele. 

O produto foi apenas empurrado por seu assessor de investimentos.

O documento que contém todas as informações importantes de um COE é chamado DIE (Documento de Informações Essenciais). 

A instituição financeira tem a obrigação de fornecer este documento ao investidor antes da contratação do COE. 

Dentre outras informações, o DIE precisa identificar a instituição financeira emissora, a modalidade, as garantias envolvidas, o prazo de investimento e a tese de investimento, que fornece as regras para determinar a rentabilidade do COE, que convenhamos, pode ser algo complexo para o investidor inexperiente.

Como funciona o rendimento do COE

Existem duas modalidades de COEs: 

  • Valor Nominal Protegido: Quando o investidor tem a garantia de que receberá todo o valor principal investido, caso a estratégia não gere lucro e leve o produto até o vencimento.
  • Valor Nominal em Risco: Quando há possibilidade de perda até o limite do capital investido. 

Segundo a Modalmais, cerca de 94% dos COEs comercializados no Brasil são da categoria de “Valor Nominal Protegido”.

Ou seja, aquele com garantia de que, ao final do prazo, o investidor terá, no mínimo, o capital investido de volta.

No vencimento, o COE paga de volta o capital investido (quando ele for do tipo capital protegido), mais uma rentabilidade (limitada) atrelada a alguma aposta.

Vamos analisar o XP Bolsa Americana - Taxa Fixa ou Alta Ilimitada - 5 anos, que aposta no SPDR S&P 500 ETF Trust (SPY US), um ETF em dólares que busca replicar a performance das maiores empresas listadas na bolsa americana, emitido pela XP.

Nesse exemplo, em caso de alta no preço do ativo, o investidor ganha o melhor entre a taxa fixa e a alta ilimitada + capital investido. 

Em caso de queda no preço do ativo, o investidor ganha a taxa fixa + capital investido.

Renuneração do COE
COE XP Bolsa Americana - Taxa Fixa ou Alta Ilimitada - 5 anos. Fonte: XP  

Considerando uma Taxa Fixa de 50,0%, teríamos possíveis retornos conforme ilustrado no quadro abaixo:

Retorno do COE
COE XP Bolsa Americana - Taxa Fixa ou Alta Ilimitada - 5 anos. Fonte: XP  

Dessa forma, se o S&P 500 cair - 70%, - 50%, ele vai te pagar um valor fixo, equivalente a 8,45% ao ano durante um período de cinco anos.

Se o S&P ficar parado, ele também vai te pagar os 8,45% ao ano, até uma alta de 50%.

Ele só te pagará mais, quando ele subir mais de 60%.

Se ele dobra de valor, o COE te paga uma taxa de 14,93% ao ano.

Para saber se essa taxa é boa ou ruim, é preciso comprar com o título livre de risco do seu país, no caso, com o título prefixado do governo de cinco anos.

Se olharmos no site do Tesouro,  a taxa do prefixado é de 13,15% ao ano.

Isso significa que se você investir no título do governo por cinco anos, ganhará uma taxa anual de treze por cento ao ano.

Já se investir nesse COE e o S&P não subir mais do que 60%, ganhará por cento ao ano, ou seja, menos do que paga o Tesouro Direto.

Mas isso não fica tão claro na hora do assessor te apresentar o investimento.

Afinal, se existem possibilidades mais seguras e mais rentáveis, por que você investiria em um COE?

Porque ele te apresenta de forma diferente.

Pense em seu assessor de investimentos, que trabalha para uma das maiores empresas do Brasil de investimentos. 

Ele te oferece um Certificado de Operações Estruturadas da Bolsa Americana e diz que, caso a bolsa americana subir, ele te paga e, se cair, devolve 100% do seu dinheiro e ainda te paga uma taxa fixa.

Ficou atrativo agora, pois ele te mostra que você só tem a ganhar, mas não é isso que acontece.

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Problemas com o COE

O COE é uma espécie de Cavalo de Troia financeiro. 

O produto é chamado “estruturado” porque envolve um mix de vários investimentos vendidos como um só.

Funciona assim: a corretora seleciona grande parte de títulos públicos e outros ativos de renda fixa e junta com uma pequena parte em derivativos.

O problema é que ela entrega esse combo sem que o investidor saiba exatamente como as coisas foram combinadas, qual a estratégia seguida.

A parte "atrativa" é a da renda variável. 

A corretora e os assessores vão usar um ativo bastante conhecido e popular, como o dólar, ouro, índices de ações (Ibovespa, S&P 500), ações de empresas famosas como Apple, Tesla, etc, para vender o COE. 

Além dessa possibilidade de ganho, outro grande apelo desses instrumentos está na garantia de não perder dinheiro.

Por mais que faça parte de um mercado arriscado, os COEs ganharam uma "cara" de renda fixa.

Isso acontece porque os COEs mais comercializados oferecem a promessa de "capital protegido", mas não é exatamente o que ocorre.

Por mais que o investidor receba o valor inicial de volta se o investimento der errado (e você verá o porquê geralmente dá), o seu dinheiro não é corrigido pela inflação.

Para piorar, o prazo dos COEs costuma ser longo, se de três ou mais anos. 

Cabe lembrar que ainda existe risco de crédito, pois o COE não possui proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), é garantido apenas pela instituição financeira que o emite.

Perda limitada (e ganho também)

Apesar da promessa de capital protegido pela maioria dos COEs comercializados, não é exatamente o que ocorre.

Se a perda é limitada, os ganhos também são.

Ou seja, mesmo que um ativo que compõe o COE se valorize muito, seu ganho é limitado a um percentual. O restante vai para a instituição financeira emissora.

Imagine que o COE aposte na alta das ações da Amazon. 

A corretora vai vender o investimento com algumas condições, como por exemplo:

Se a ação da empresa subir até 10%, o investidor ganha o percentual que a ação subir. 

Se ela subir mais que isso, o máximo estabelecido para o investidor ganhar é 10%. 

Essas informações estão na lâmina informativa. O que não está lá é a probabilidade da ação subir até 10%, mais que 10% ou que caia no período.

Agora, se o ativo não se valorizar, fica ainda pior para o investidor.

Ao final do prazo, que é de anos, o investidor recebe o valor investido, mas sem lucro algum.

O COE protegeu nominalmente o investimento, mas o valor real, aquele descontado a inflação, faz o investidor perder dinheiro.

Imagine que investiu R$ 5 mil em um COE há 5 anos. Hoje, você perdeu quase 30% do seu poder de compra.

Isso sem contar o custo de oportunidade, de ter alocado esse dinheiro em outro produto e ter obtido um bom rendimento nesse tempo.

9 em cada 10 COEs têm retorno abaixo do Tesouro Direto

O COE "empurrado" pelo assessor é um mau negócio para o investidor e os dados podem provar.

Segundo estudo realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), cerca de 90% dos COE vendidos aos investidores de varejo tiveram retorno esperado abaixo da taxa livre de risco.

De acordo com a publicação, 252 dos 284 COEs que foram vendidos aos investidores de varejo entre 2016 a 2020, tiveram potencial de lucro menor que o de títulos públicos, ou seja, abaixo da Selic.

O estudo concluiu que, devido ao risco de perda tão grande, seria melhor investir na bolsa seguindo o índice Ibovespa ou até mesmo deixar o dinheiro na poupança (o que não é nem um pouco recomendado).

O ponto principal, é mostrar que essa não é a melhor opção para o investidor, mas sim para bancos (que estruturam COEs) e corretoras e assessores de investimentos (que vendem), pois sempre há uma pegadinha no rendimento.

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Baixa liquidez

A baixa liquidez também é um dos problemas para quem investe em COE.

Os COEs têm prazo definido, geralmente de 3 a 5 anos.

Durante esse período, é difícil ter o dinheiro em mãos, caso o investidor precise.

Algumas corretoras até recompram, mas o problema é o quanto elas cobram para isso.

Neste caso, o montante recebido poderá ser menor que o investido. Em alguns casos, o investidor pode perder “mais de 50% do capital” caso solicite o resgate antecipado.

Abrir mão de liquidez está tudo bem desde que isso te garanta um retorno maior do que aquele oferecido por um investimento que te permite resgatar o dinheiro a qualquer momento, coisa que já vimos que no COE não acontece.

Altas comissões e conflito de interesses

O COE é um dos produtos que oferecem maiores comissões aos assessores de investimentos.

Isso acontece porque há uma grande diferença entre o custo da corretora para estruturar a operação e o valor pelo qual o COE é repassado para os clientes.

Isso é chamado de spread e, como as comissões dos assessores são proporcionais ao spread, quanto maior essa diferença, mais esses profissionais recebem por vender o produto. 

A comissão de um COE pode variar entre 2,5% e 5%, pagos no ato do investimento e pode chegar a até 10x a média das comissões encontradas no mercado.

Outro agravante é que, como o COE é um produto que arranja diversos investimentos em um só, fica praticamente impossível saber o quanto as instituições financeiras estão cobrando por ele.

Isso é diferente do que acontece nos fundos de investimento, onde os gestores são obrigados a especificar quanto cobram para gerenciar o dinheiro do cliente.

Ou nas negociações de ações em bolsa, onde se sabe a corretagem e os emolumentos pagos.

No COE essa taxa é muito bem escondida.

E não se iluda. 

Mesmo que o investidor tenha prejuízo, as operações são estruturadas para garantir o lucro das instituições financeiras.

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COEs são oferecidos de forma descoordenada

Nem todo COE em si é um produto de investimento ruim. 

No entanto, a forma descoordenada que ele é oferecido e vendido pelos agentes autônomos, sem se preocupar com perfil de risco e o objetivo de investimento do cliente, é. 

Não é raro receber clientes com carteiras com até 50% em COEs.

Em que ou quem esse profissional estava pensando? 

Muitos assessores simplesmente empurram COEs ou outros produtos para o cliente sem se preocupar em fazer uma boa alocação de ativos.

Se a "estratégia" não deu certo, o cliente vai reclamar porque, em teoria, ‘não perdeu dinheiro’. 

Quando, na verdade, perdeu muito, seja em tempo, em oportunidade, em rendimento, em anos para a aposentadoria, simplesmente por ter sido empurrado para um produto que não era bom para ele.

Fim do conflito de interesses

Em busca de melhores retornos para seus investimentos, investidores recorrem a diferentes tipos de estratégias, produtos e profissionais. 

No entanto, é preciso cautela antes de alocar seu dinheiro em determinados ativos ou seguir os conselhos de "gurus do mercado".

Os COEs são investimentos complexos que têm seu espaço no mercado, mas vêm sendo distribuídos em grande escala para pequenos investidores que muitas vezes não compreendem seus riscos.

Esses produtos não são os únicos que colocam o agente autônomo e o cliente em conflito de interesses.

É todo o modelo de comissionamento entre as instituições e seus profissionais.

Diferente do que ocorre com os assessores, os consultores de investimentos trabalham livres de conflitos de interesses, pois não são vendedores de produtos.

O foco das consultorias é o cliente e seus objetivos.

Não criamos o GuiaInvest Wealth para ter a flexibilidade de poder oferecer o que existe de melhor para os investidores.

Nosso consultor pode fazer recomendações independentes da corretora, em um serviço alinhado com os interesses dos clientes.

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