Como já muito disse John Maynard Keynes, vivemos em um ambiente de incerteza fundamental.

No fundo, somos ignorantes e, quanto mais aprendemos, mais temos dimensão do tamanho da nossa ignorância, tal qual expressa o efeito Dunning-Kruger.

Gráfico que explica o efeito Dunning-Kruger.

O próprio Warren Buffett já teria falado que a diversificação é uma medida contra a nossa ignorância.

Ora, Buffett possui mais de 40 ações no portfólio da Berkshire Hathaway (BERK34)

Se isso não é a assunção da própria ignorância, eu não sei o que pode ser.

No fundo, não sabemos de nada, somos ignorantes, mas não saber não é o mesmo que não agir.

Voltando a Keynes, tomamos as nossas decisões sempre em ambiente de incertezas, onde os resultados futuros são absolutamente desconhecidos.

Calma, não quero usar Keynes e Buffett para fazer um apelo à ignorância.

Ambos sempre foram leitores ávidos e conhecedores profundos dos temas que os cercam.

A questão é que conforme eles foram aprendendo na vida, carregaram cada vez menos certezas e cada vez mais perguntas pertinentes.

E é sob essa perspectiva que devemos pensar na hora de investir.

Olhando para o macro, já é bem difícil saber a exata direção das coisas.

Será que a inflação nos Estados Unidos é apenas um choque temporário mesmo ou seria um processo duradouro que estaria por vir?

Difícil responder, não?

Poderemos ver pessoas ultra qualificadas discordando visceralmente sobre o assunto. 

Parece natural que haja uma redução da compra de ativos por parte do Fed?

Aparentemente sim, o próprio já anunciou. Mas não se sabe quando e em qual intensidade isso irá ocorrer.

Aqui pelo Brasil o cenário pode até parecer similar.

Enquanto escrevo este artigo, o Copom ainda não soltou a ata da reunião de 15 e 16 de junho

Mas vamos tomar por base o que foi dito na semana passada...

Na próxima reunião deveremos manter a velocidade de aumento de juros da Selic, de 0,75%, mas, nas palavras do próprio Banco Central, “fica no radar uma redução mais tempestiva dos estímulos em caso de deterioração do cenário”

Traduzindo para o bom português, a autoridade entende que caso o cenário inflacionário brasileiro se agrave, deveremos ter uma elevação mais contundente, de 1% na próxima reunião.

→Como Investir no Cenário Econômco Atual? Veja as 3 Ações com Maior Potencial de Valorização no Brasil.

Veja, tanto Fed quanto BC não sabem o que nos espera.

Fato é que deveremos encerrar o ano de 2021 com a Taxa Selic na faixa de 6,5% ou até mesmo 7%, no caso de concretização do cenário mais grave.

E as perguntas não param por aqui...

Não sabemos, mas mais importante do que isso, nós sabemos o que não sabemos. E não saber é diferente de não agir.

Só em junho vimos Marcopolo (POMO4), Jereissati (JPSA3), Marisa (AMAR3) e outras ações de menor expressão subindo mais de 20% debaixo do nosso nariz.

São calls clássicos de reabertura, de retomada da atividade econômica.

→Como Investir no Cenário Econômco Atual? Veja as 3 Ações com Maior Potencial de Valorização no Brasil.

Esse é o tema do mercado financeiro no momento, mas qual o próximo tema?

E sinceramente, não temos como saber o que vai andar melhor daqui para frente. Nem Warren Buffett sabe.

Mas vamos nos debruçar sobre o ombro de gigantes. Se Buffett falou, por que fazer diferente? Para investir melhor vamos diversificar.

E mais, vamos comprar ações de empresas excelentes e que estejam mal avaliadas pelo mercado por conta de circunstâncias específicas.

Isso não pode parecer mais atual.

Poderemos ganhar dinheiro mesmo não sabendo de nada e, não me entenda mal, isso não é o mesmo do que agir com imprudência.

Estou falando de se expor a um processo incerto, mas que as probabilidades estão ao seu favor.

Entramos no inverno nesta semana, precisamos estar preparados. Mas esteja preparado porque, não demora muito, teremos, literal e metaforicamente, um longo verão pela frente.