Cada vez mais empresas brasileiras decidem abrir capital no exterior ou planejam mudar suas ações para lá. Veja como o investidor brasileiro pode investir.

A Oferta Pública Inicial (IPO) acontece quando uma empresa privada se torna pública e passa a oferecer suas ações na bolsa de valores

Nos últimos anos houve um aumento de IPOs na bolsa brasileira, B3, mas o número ainda é pequeno se compararmos ao de mercados estrangeiros mais maduros, como Wall Street.

Muitas empresas do Brasil têm optado por abrir capital nos Estados Unidos, buscando o fortalecimento da marca. 

O mercado de ações americano possui mais investidores e um maior volume negociado. 

Para os especialistas, as burocracias excessivas da B3 também são um dos motivos que pesam na hora de decidir onde realizar o IPO.

As regras dos dois países são diferentes. Enquanto a listagem em bolsas americanas permite a emissão de ações com pesos diferentes, por aqui, o segmento do Novo Mercado da B3 não permite.

Para as companhias que não querem abrir mão do controle acionário da empresa, isso acaba sendo um fator relevante.

Não é à toa que os IPOs de empresas brasileiras nos EUA bateram recorde em 2021.

Mesmo abrindo o mercado no exterior, os investidores brasileiros ainda podem participar das ofertas de ações. 

Veja quais as diferenças do IPO no Brasil e no exterior e como aproveitar as oportunidades de ofertas públicas.

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Empresas brasileiras que fizeram IPO no exterior

A primeira empresa brasileira a abrir seu capital em Nova York foi a Netshoes, em 2017, que foi adquirida pelo Magazine Luiza (MGLU3) em 2019.  

Em 2018 foi a vez do PagSeguro (PAGS) e Stone (STNF) fazerem o mesmo logo.

O PagSeguro (PAGS) chegou a levantar US$ 2,27 bilhões na NYSE, sendo considerada na época a quarta maior IPO de uma empresa de tecnologia da história. 

No final de 2019 foi a vez da XP (XPBR31) fazer seu IPO em uma bolsa de valores americana.

O IPO mais recente de empresas brasileiras que resolveram lançar suas ações lá fora foi o do Nubank (NUBR33).

Só em 2021 foram seis IPOs de companhias brasileiras em Nova York. 

Além de Nubank, Vinci Partners, Pátria Investimentos, Vtex, Zenvia e CI&T foram buscar dinheiro direto no exterior. 

Já são 13 companhias brasileiras expatriadas que levantaram quase US$ 9 bilhões com IPOs nos EUA.

Tem até fila de espera. Empresas como Inter (BIDI11), Natura (NTCO3), Locaweb (​​LWSA3), Americanas (VLAME4) e JBS (JBSS3), que hoje estão na B3, têm planos de sair do Brasil.

Confira as empresas brasileiras que possuem suas ações negociadas fora do país:

EmpresaData do IPOBolsa de Valores
Nubank (NU; NUBR33)09/12/2021NYSE
CI&T Inc (CINT)09/11/2021NYSE
Zenvia (ZENV)21/07/2021NASDAQ
Vtex (VTEX)20/07/2021NYSE
Vinci Partners (VINP)27/01/2021NASDAQ
Patria Investments (PAX)21/01/2021NASDAQ
Vitru (VTRU)17/09/2020NASDAQ
Vasta Platform (VSTA)30/07/2020NASDAQ
XP Inc (XP; XPBR31)10/12/2019NASDAQ
Afya (AFYA)18/07/2019NASDAQ
Stone Co. (STNE; STOC31)24/10/2018NASDAQ
Arco Platform (ARCE)25/09/2018NASDAQ
PagSeguro (PAGS; PAGS34)23/01/2018NYSE

Motivos realizar IPO no exterior

Diferentes fatores têm estimulado empresas brasileiras a realizarem seus IPOs no exterior.

Um dos principais motivos é o tamanho do mercado financeiro. As bolsas americanas NYSE e Nasdaq, negociam US$ 170 bilhões e US$ 240 bilhões, respectivamente, por dia. Na B3, esse valor é de US$ 5,5 bilhões por dia.

Quanto maior o volume de negociações, maior também a liquidez, ou seja, a garantia de que os investidores conseguirão vender as ações rapidamente caso desistam do negócio. 

O mercado maduro norte-americano tem levado empresas do mundo todo para Wall Street.

O gigante do e-commerce, Alibaba (BABA; BABA34), tem sua sede na China, mas abriu o capital na NYSE. 

A Didi (DIDI), concorrente asiática da Uber e dona da 99, também. A empresa argentina Mercado Livre (MELI; MELI34), foi outra a abrir seu capital nos Estados Unidos.

Porém, um dos melhores benefícios para as empresas em realizar o IPO em Nova York é a regulamentação. Lá, é possível emitir ações com peso de votos diferente e, dessa forma, não correr o risco de perder o controle acionário da companhia.

Entre os principais motivos de realizar IPO no exterior estão:

Regulamentação

Na última década, o Novo Mercado na B3 firmou-se como um segmento destinado à negociação de ações de empresas que adotam, voluntariamente, práticas de governança corporativa adicionais. 

Com um grau mais elevado de padrão de governança corporativa, as empresas listadas nesse segmento só podem emitir ações com direito de voto, as chamadas ações ordinárias (ON).

Todos os IPOs realizados no país depois da criação do Novo Mercado, se enquadram nesse segmento.

Essas ações, no Brasil, têm a proporcionalidade de número de papéis e de votos. Ou seja, se o investidor tem 100 ações, terá direito a 100 votos.

No exterior é diferente. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe a possibilidade de ter ações com pesos de votos diferentes.

Lá, as ações ordinárias são divididas em classes, normalmente A e B, onde cada uma tem privilégios distintos. 

Maior visibilidade

O mercado americano atrai investidores do mundo inteiro. Devido à maior "vitrine", a empresa pode ter uma avaliação melhor e conseguir alcançar múltiplos de negociação maiores.

Mercado maduro

O mercado americano, por exemplo, possui um número de investidores muito maior do que na B3. 

Enquanto no Brasil apenas 1% da população investe na Bolsa de Valores, lá, mais da metade são investidores.

É por essas e outras que o exterior tem maior disponibilidade de dinheiro.  

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Como investir em IPO no exterior

O investimento na oferta pública inicial de ações no exterior é semelhante ao realizado na Bolsa de Valores brasileira. 

Para investir diretamente, o interessado deve abrir conta em uma corretora de valores no exterior que ofereça essa operação.

Depois, verifique os requisitos de elegibilidade para participar do IPO, uma vez que os critérios podem variar de empresa para empresa.

Nos Estados Unidos, o investidor deve preencher um relatório específico da Autoridade Regulatória da Indústria Financeira (Finra).

Ao entrar na janela específica de reserva, o investidor realiza uma oferta condicional de compra. Esta não garante a aquisição das ações, apenas sinaliza o interesse.

Caso o valor oferecido seja menor que o definido no pregão ou o número de solicitações de compra seja muito maior que as ações disponíveis, o investidor fica fora do IPO. 

Se o lance for maior, a aquisição é feita pelo preço final do ativo. 

Para aqueles que não querem abrir conta no exterior, existe também a opção de realizar a reserva ou a compra das ações a partir da B3, por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDR).

Os BDRs são certificados que representam ações emitidas por empresas em outros países. Esse é um jeito simples de se expor aos resultados de ativos internacionais.

Investir em IPO no exterior vale a pena?

A decisão de investir em uma oferta inicial de ações fora do Brasil é semelhante a de um IPO realizado no país.

A abertura de capital na Bolsa de Valores é uma oportunidade de adquirir ativos baratos com forte potencial de valorização.

A principal diferença é que estará diversificando seus investimentos no exterior, o que é uma atitude inteligente, seja por meio de IPOs, ações internacionais, BDRs ou fundos de investimentos.

O meio não é o mais importante, e sim, a alocação internacional. 

Fazer investimentos em ativos de fora do país pode ser uma ótima opção para a diversificação da carteira, buscar maiores ou simplesmente proteger o patrimônio em uma moeda forte. 

Veja como você pode investir no exterior. 

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