Não podemos negar que o Value Investing de Warren Buffett se difere muito do Value Investing proposto por Benjamin Graham

Graham era um caçador de pechinchas do mercado financeiro

De uma forma objetiva, ele buscava pagar menos do que a empresa realmente deveria valer naquele momento, sem prezar tanto pela qualidade do ativo.

No passado, encontrar empresas negociadas abaixo do seu valor intrínseco era uma tarefa muito menos árdua do que hoje em dia.

O acesso às informações das empresas, na época de Graham, era escasso. 

Os investidores mais experientes que capturavam informações relativas aos números das empresas, levavam vantagens em relação ao restante dos investidores.

Por isso, na época, muitas empresas apresentavam distorções em seus preços quando comparadas ao seu valor intrínseco. 

Tal cenário permitia a aplicação do Value Investing raiz

Era possível comprar algo muito ruim, mas absurdamente barato, para vender ligeiramente mais caro algum tempo depois.

Nos dias de hoje a história é um pouco diferente. 

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As informações são abundantes e milhares de analistas de investimento dormem e acordam debruçados nos números das empresas.

Como consequência, é mais raro vermos algo gritantemente barato dessa mesma forma. 

Estamos em um mundo onde a estratégia de crescimento é uma das peças mais importantes do tabuleiro dos maiores gestores de fundos, sendo as big techs as principais empresas com essa característica.

Warren Buffett percebeu que não poderia se limitar ao modelo original proposto por Graham. 

Praticamente metade (sim, mais de 40%) da carteira de Buffett é composta por Apple, uma big tech que não negocia a múltiplos baixos.

Buffett estaria abandonando sua abordagem estratégica de valor?

Não, não é nada disso. 

Veja essas duas empresas (fictícias) abaixo e me responda qual supostamente estaria descontada:

EmpresaP/LP/VPAROE (%)Cresc. Anual (%)
AAAA360,651
BBBB3201,51920

AAAA3 quase pula de sua boca como sendo a empresa mais descontada

Mas será mesmo?

Você pode estar pensando que negociando a equivalentes 6x do lucro e a 0,6x do patrimônio líquido, a AAAA3 estará descontada. 

Você pode estar pensando que negociando a equivalentes 6x do lucro e a 0,6x do patrimônio líquido, a AAAA3 estará descontada. 

Mas, perceba que a empresa gera muito pouco valor em relação ao seu patrimônio líquido, medido pelo ROE. 

Então um baixo P/VPA é justo dado o pífio crescimento e não significa que a empresa esteja descontada tão somente por verificar esse indicador.

Qualquer um em sã consciência, não irá pagar muito por uma empresa que não consegue remunerar seu próprio dinheiro.

Além disso, a empresa cresce 1% ano. Está praticamente estagnada. 

Saiba que o mercado precifica o futuro, e neste caso, o preço está justificando a falta de expectativa sobre o crescimento da empresa.

Por outro lado, nos múltiplos elevados BBBB3, estão embutidos um alto retorno do seu patrimônio, bem como um potencial de crescimento elevado. 

Neste caso, a BBBB3 irá gerar muito mais valor do que a AAAA3.

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Pode-se dizer então que a BBBB3 está descontada frente a sua geração de valor futura?

Os padrões anteriores de avaliação do valor e de preço, estão cada vez menos funcionais. 

Estaríamos vivenciando o surgimento de um Value Investing 2.0

Seja o que for, ambas perspectivas fazem sentido e inclusive são usadas na filosofia do Canal Joias da Bolsa

O mercado criou uma dicotomia entre estratégia de valor e crescimento, quando na verdade é a mesma coisa sob perspectivas diferentes. 

O Value Investing se popularizou através do livro Security Analysis em 1934. 

Não preciso dizer que a dinâmica do mercado era muito diferente nessa época.

Empresas tech com valor gerado em ativos intangíveis, simplesmente não existiam.

A velocidade de crescimento dos lucros, principalmente gerados pelo ganho de escala dessas empresas, não eram compatíveis com o ambiente empresarial e tecnológico da época.

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O fato é que uma empresa com P/L baixo pode estar cara e uma empresa com P/L alto pode estar barata

Não é o fim do Value Investing como muitos falam por aí. 

O Value Investing não é uma fórmula matemática que perdeu sua utilidade. 

Value Investing é a arte de encontrar empresas com alta capacidade de gerar valor no tempo e comprá-las no momento certo.

E isso vai muito além de acompanhar uma tabela de múltiplos, pois se assim fosse, não teríamos GOGL34 na carteira do Joias da Bolsa, que por sinal acumula mais de 96% de retorno até o momento.

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