A China está restringindo as exportações de metais importantes para a fabricação de eletrônicos e semicondutores, à medida que a batalha tecnológica com os EUA e a Europa esquenta.

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Conforme anunciado pelo Ministério do Comércio da China nesta segunda-feira (03), as empresas do país deverão obter uma licença de exportação para comercializar esses materiais e produtos derivados a partir de 1º de agosto de 2023.

As medidas foram anunciadas após maiores tensões entre Estados Unidos e China.

O governo de Joe Biden estaria planejando o bloqueio da exportação de chips utilizados em inteligência artificial à China, segundo familiarizados com o assunto. 

Já a potência asiática teria retaliado com uma restrição que impede o uso de hardware da Micron.

Os dois metais que estão no centro desse embate são o germânio e o gálio.

A China produz 60% do germânio do mundo e 80% do gálio, de acordo com a Critical Raw Materials Alliance, um órgão da indústria.

Entenda por que a China está impondo restrições às exportações dos metais e como isso afeta a indústria mundial, conforme relatório da CNBC.

Guerra tecnológica entre China e EUA

A China e os EUA estão travados em uma guerra comercial de tecnologia que vem aumentando desde 2019. 

Os EUA usaram listas negras de comércio e amplas restrições à exportação para cortar a China de componentes tecnológicos essenciais e semicondutores ou chips.

Essas peças críticas de tecnologia se tornaram um ponto focal na batalha entre as duas superpotências.

A China não retaliou muito até agora, mas em maio rotulou a empresa americana de chips Micron como um “grande risco à segurança”. 

Agora, Pequim está olhando para áreas em que tem alguma força: os metais e materiais que entram em eletrônicos e semicondutores.

O Ministério do Comércio da China disse na segunda-feira que os novos regulamentos exigirão que os exportadores de gálio e germânio obtenham uma licença para embarcar os metais. Pequim introduziu as novas regras por motivos de segurança nacional.

O que são germânio e gálio?

Germânio e gálio são metais que não são encontrados naturalmente. Em vez disso, eles são formados, geralmente, como um subproduto das refinarias de outros metais.

O germânio, um metal branco prateado, é formado como subproduto da produção de zinco. O gálio, por sua vez, é um subproduto do processamento de minérios de bauxita e zinco.

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Para que servem o germânio e o gálio?

O germânio tem vários usos, inclusive em produtos solares e fibra óptica. O metal é transparente à radiação infravermelha e pode ser empregado em aplicações militares, como óculos de visão noturna.

Os painéis solares que contém germânio têm aplicações no espaço.

O gálio é usado para fabricar o composto químico arsenieto de gálio, que pode fazer chips de radiofrequência para telefones celulares e comunicação via satélite, por exemplo. Esse composto também é um material chave em semicondutores.

Qual país produz os metais?

A China produz 60% do germânio do mundo e 80% do gálio, de acordo com a Critical Raw Materials Alliance, um órgão da indústria.

O arseneto de gálio é complexo de produzir e apenas algumas empresas no mundo podem fazê-lo. Um está localizado na Europa, enquanto os outros estão no Japão e na China, diz a CRM Alliance.

Outros países que produzem gálio incluem o Japão, Coreia do Sul, Rússia e Ucrânia, de acordo com o CRU Group, empresa de análises da indústria de metais. O germânio também é produzido no Canadá, Bélgica, Rússia e nos Estados Unidos.

Quão importantes são as restrições da China?

“Um tiro de advertência, não um golpe mortal”, disse o Eurasia Group em nota na segunda-feira.

“Mas essas medidas mais recentes têm escopo mais limitado e, embora as novas regras exigem que os exportadores chineses primeiro obtenham uma licença, nenhum idioma impede automaticamente a exportação para países ou usuários finais específicos”.

Os EUA e a Europa não importam grandes quantidades desses materiais. Os EUA receberam US$ 5 milhões em gálio metálico e US$ 220 milhões em arsenieto de gálio em 2022, segundo dados do governo.

A ingestão de germânio foi maior, com o país absorvendo US$ 60 milhões do metal, enquanto a UE importou US$ 130 milhões de germânio em 2022, segundo dados da S&P Global Market Intelligence.

Outros países também são capazes de produzir esses metais. Bélgica, Canadá, Alemanha, Japão e Ucrânia podem fabricar germânio. Japão, Coréia do Sul, Ucrânia, Rússia e Alemanha, entretanto, produzem gálio.

Existem também potenciais substitutos para esses metais.

A escala da China permitiu produzi-los a um custo menor do que em outros lugares, mas o Eurasia Group observa que as medidas de Pequim terão um “impacto limitado na oferta global, dado o escopo almejado”.

″É um tiro na proa com a intenção de lembrar países como Estados Unidos, Japão e Holanda de que a China tem opções de retaliação e, assim, impedi-los de impor mais restrições ao acesso chinês a chips e ferramentas de ponta”, disse o Eurasia Group.

Fonte: CNBC

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