A maioria dos bancos centrais globais estão explorando a possibilidade de emitir as suas próprias moedas digitais, as chamadas CBDCs (central bank digital currency) ou “moeda digital do banco central”, isso poderia impulsionar a desdolarização, de acordo com um artigo de investigação publicado pela equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Cerca de 93% das autoridades monetárias em todo o mundo estão considerando emitir as CBDCs, disseram investigadores da instituição, citando números do Banco de Compensações Internacionais.

Isso poderá, eventualmente, ajudar a campanha internacional para se afastar do dólar, pelo menos em algumas economias, segundo o corpo técnico do FMI.

“Os CBDCs poderiam ajudar a desdolarização ou combater a 'criptonização'”, escreveram eles no relatório publicado este mês. 

“Nas economias dolarizadas ou euroizadas, a introdução de uma CBDC poderia encorajar uma maior utilização da moeda local, tornando-a um meio de pagamento mais atraente.”

“Em particular, com o surgimento de outras formas de dinheiro digital denominadas em moeda estrangeira (como stablecoins), um CBDC pode ajudar a evitar que a moeda local seja suplantada”, afirmaram. 

No entanto, o impacto dos CBDCs dependeria da medida em que o instrumento aborda as barreiras à inclusão financeira num determinado país, de acordo com o relatório.

"Moeda digital do banco central (CBDC) é o dinheiro que o banco central de um país pode emitir. É chamado de digital (ou eletrônico) porque não é dinheiro físico como notas e moedas. Está na forma de um valor em um computador ou similar dispositivo", o Banco da Inglaterra define o conceito em seu site.

"O Banco da Inglaterra é o banco central do Reino Unido e, juntamente com o Tesouro de Sua Majestade, estamos analisando atentamente a ideia de uma moeda digital do banco central para o Reino Unido. Se introduzíssemos uma, chamaríamos de libra digital", acrescentou. 

A China já introduziu o yuan digital, enquanto a Rússia avança com planos para lançar uma versão semelhante do rublo. O Banco Central do Brasil também já emitiu as primeiras moedas do Real digital.

Esses países estão também em um esforço internacional para reduzir a dependência do dólar dos EUA no comércio transfronteiriço e nos fluxos de investimento, no que veio a ser conhecido como desdolarização.

O grupo de nações BRICS, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, têm ponderado a possibilidade de alguma forma de moeda compartilhada

A desdolarização é um “processo irreversível” que está ganhando impulso, disse o presidente russo, Vladimir Putin, em um discurso em vídeo na cúpula do mês passado.

Embora alguns especialistas percebam os esforços de desdolarização como uma ameaça genuína ao poder global do dólar, outros rejeitam o movimento dizendo que não acabará com a soberania da moeda norte-americana. 

Fonte: Business Insider

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