Depois de apresentar um despacho no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo a reabertura da análise da compra de ações da BRF (BRFS3) pela Marfrig (MRFG3), a conselheira Lenisa Prado mudou de posição e desistiu da reavaliação.

Os demais conselheiros acompanharam Lenisa e, com isso, ficou mantida a aprovação do negócio, que havia sido dada pela Superintendência-Geral do Cade no fim de setembro.

Na semana passada, a conselheira apresentou um despacho pedindo que a operação fosse analisada pelo tribunal do Cade.

Pelas regras do Cade, a Superintendência-Geral - área responsável por investigações e instruções de processos - pode aprovar operações que entenda não oferecer riscos à concorrência.

Um conselheiro, no entanto, pode apresentar despacho, em até 15 dias, pedindo para que o processo "suba" para o tribunal e seja analisado por seus integrantes.

O pedido tem que ser aprovado pela maioria do tribunal para que o caso seja reaberto.

Na sessão desta quarta-feira, porém, Lenisa disse que, após reuniões com advogados das partes e a apresentação de novos dados e documentos, entendeu que a operação não oferece riscos ao mercado. "Houve esclarecimentos das questões concorrenciais", completou.

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No dia 21 de maio, a Marfrig realizou a compra de ações ordinárias da concorrente, atingindo participação de 24,23% do capital social, ou 196,869 milhões de papéis.

Dias depois, em 3 de junho, a empresa comprou mais ações da companhia por meio de opções e em leilões realizados em Bolsa e chegou a uma participação de 31,67%.

A Marfrig irá se tornar o maior acionista individual da BRF, com o segundo maior acionista, a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), tendo uma participação de 7% após a operação.

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa do Consumidor (Ibedec) entrou com recurso para tentar reverter a decisão da superintendência.

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A entidade diz que a transação esbarra no risco de fechamento do mercado de hambúrgueres, o que em sua avaliação deve prejudicar concorrentes e consumidores.

"É uma pauta importante aos consumidores. Em um país já pressionado pela inflação, concentrar mercado representa risco grave à cadeia econômica como um todo", diz um trecho da petição enviada na sexta-feira, 8, ao tribunal administrativo do órgão antitruste.

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Resultado da Marfrig no Segundo Trimestre de 2021

O resultado da Marfrig (MRFG3) no segundo trimestre de 2021 (2t21), divulgado no dia 10 de agosto, apresentou um lucro líquido de R$ 1,7 bilhão no 2t21, apresentando crescimento de 9,0% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

O Ebitda da Marfrig atingiu R$ 3,9 bilhões no 2t21, apresentando retração de -3,6% na comparação com o 2t20.

A margem Ebitda da Marfrig totalizou 19,1% no 2t21, apresentando queda de -2,4 ponto percentual na comparação com o 2t20.  

A Margem líquida da Marfrig atingiu 11,6% no 2t21, apresentando retração de -0,1 ponto percentual na comparação com o 2t20.

As ações da Marfrig (MRFG3) acumulam queda de 2,35% na bolsa de valores nos últimos 7 dias e alta de 86,65% nos últimos 12 meses.

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Fonte: Estadão Conteúdo.