O que é Brady Bonds

Brady Bonds é a denominação de alguns títulos da dívida de países em desenvolvimento lastreados em papéis da dívida dos EUA surgidos em 1989, geralmente denominados em dólar.

Eles surgiram no contexto da crise da dívida pública dos países latino-americanos nas décadas de 80 e 90, atendendo à demanda por segurança de investidores internacionais.

Brady Bonds têm este nome em referência ao secretário da Fazenda americano Nicholas Brady, que foi originalmente responsável por sua elaboração e pela criação do Plano Brady.

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Origem dos Brady Bonds 

Como resposta à crise da dívida pública, aqueles que buscavam atuar em países emergentes queriam soluções que permitissem uma diluição do risco envolvidos nas operações.

Assim, o governo americano, com apoio do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), passou a oferecer a estes países a possibilidade de emitir títulos lastreados nos papéis da dívida dos EUA.

Como contrapartida, os países emissores deveriam comprometer-se a seguir algumas prescrições quanto a sua política econômica, buscando sanear suas contas por meio de políticas liberais.

Como funciona Brady Bonds 

Quando emitidos, os brady bonds são lastreados com a compra de títulos da dívida americana de igual vencimento, que ficam sob custódia no Banco Central americano até o momento do pagamento. 

No caso de calote, os portadores do título recebem o valor da venda dos estáveis títulos americanos, de forma que os países emergentes tenham mais chances de captar investimentos por meio destes papéis mais seguros.

Embora a maioria seja denominada em dólar, alguns destes títulos foram emitidos em outras moedas importantes, como o dólar canadense, o yen japonês, a libra esterlina e moedas nacionais europeias anteriores ao Euro.

Vantagens dos Brady Bonds 

Brady Bonds associam os ganhos superiores que são obtidos em títulos de países emergentes com medidas para reduzir a volatilidade a que eles geralmente são sujeitos.

Assim, é possível obter as vantagens de mercados em expansão não se expondo aos riscos destas economias, frequentemente mais afetadas pelas variações globais.

Além disso, a emissão desses títulos associa-se com um compromisso com políticas econômicas mais restritas por parte dos países emergentes, que indicam mais segurança e perspectivas de melhora nas circunstâncias econômicas nesses países.

Sendo títulos de renda fixa, eles também apresentam menor risco do que títulos de renda variável de países em desenvolvimento.

Riscos dos Brady Bonds 

Assim como todo título de renda fixa, brady bonds estão sujeitos ao risco de seus rendimentos tornarem-se menos atrativos após sua contratação, com as mudanças das condições de mercado.

Além disso, como todo título de dívida pública, estão sujeitos ao risco de calote, que é maior no caso das economias emergentes que aderiram ao Plano Brady.

Evolução dos Brady Bonds 

Desde o início do Plano Brady em 1989, muitos países aderiram à emissão desses títulos. Entre eles, estiveram:

  • Argentina
  • Brasil
  • Costa Rica
  • Costa do Marfim
  • Filipinas
  • Nigéria
  • Panamá
  • Peru
  • Polônia
  • República Dominicana
  • Rússia
  • Uruguai
  • Venezuela
  • Vietnã

Em 1999, o Equador foi o primeiro país a não ser capaz de pagar os portadores de seus brady bonds. 

Hoje em dia, a maioria dos países que originalmente aderiram ao Plano Brady e emitiu este títulos já aposentou-os de uma forma ou outra.

Em 2003, o México comprou de volta todos os seus brady bonds. Até 2007, as Filipinas, a Venezuela, a Colômbia e o Brasil também fizeram o mesmo.

No caso do Brasil, a recompra aconteceu em 2006, tirando de circulação 6,64 bilhões de dólares em títulos. Esta decisão aconteceu em um momento particularmente propício para as reservas internacionais brasileiras.

À época, houve um esforço para pagar a dívida externa brasileira, aproveitando a balança comercial positiva para diminuir a exposição do país à flutuação da economia mundial.