O que é Bem Infungível

Bem Infungível é todo e qualquer bem que possui características únicas e irreplicáveis e que, portanto, não pode ser substituído por outro, pois não possui substituto.

Como o Bem Infungível possui características inimitáveis, é natural que a sua valoração seja muito maior do que a dos bens fungíveis.

Na realidade, não é incomum que um Bem Infungível simplesmente seja impossível de ter o seu valor calculado, devido à importância, muitas vezes histórica, que este pode ter.

Ficou na Dúvida Sobre Investimentos? Baixe Grátis o Dicionário do Investidor.

Arte é um bem infungível 

A arte é um ótimo exemplo de bem infungível. Isso acontece pois cada peça artística feita à mão por um artista possui características únicas que não podem ser reproduzidas.

A primeira característica é o estilo. A maneira como um quadro é pintado ou uma escultura é esculpida, sempre terá a marca registrada do artista em suas formas, detalhes e imperfeições.

Assim como a digital humana é um registro único de cada ser humano, o estilo do artista é a sua digital, impressa na sua arte. 

E mesmo que as falsificações consigam fazer um trabalho muito bom, um especialista sempre será capaz de apontar as diferenças.

As obras de arte, portanto, são bens infungíveis pois elas não podem ser reproduzidas em uma linha de montagem ou em massa, como se fossem produtos.

Por outro lado, isso não significa que toda arte seja infungível. Ainda mais quando falamos sobre a possibilidade de se criar cópias oficiais ou mesmo discutirmos o conceito de arte.

Uma camisa que foi produzida por uma fábrica que contém uma estampa cujo desenho é o famoso quadro da Mona Lisa, é um bem fungível.

O quadro da Mona Lisa original, por outro lado, é um bem infungível, pois nunca será possível reproduzi-lo com todas as suas características originais. E isso acontece por dois motivos:

  • O autor original do quadro já está morto há muitos séculos;
  • Mesmo que ele estivesse vivo, ele não conseguiria reproduzir o seu famoso quadro exatamente igual, pois ele era um humano e não uma máquina.

Por outro lado, artistas como Romero Britto, que comercializam sua arte como um produto de consumo, ficam no limite entre arte e produto. Os críticos não chegaram a um consenso.

A subjetividade do bem infungível

É possível argumentar que todo bem fungível, ou seja, que pode ser substituído por outro de mesma qualidade, quantidade e espécie, pode virar um bem infungível em determinada circunstância.

Se, por um lado, uma camiseta que se compra em uma loja de departamento possui centenas de cópias, isso não significa que estas cópias não sejam valiosas para seus donos.

E se uma pessoa presenteia outra com essa simples camiseta? Dependendo do valor que a pessoa presenteada dê a pessoa que presenteou, essa camiseta pode ser insubstituível.

Neste caso, o que aconteceu foi a criação de um valor sentimental que não existe intrinsecamente na camiseta, mas que lhe foi atribuído pelo dono do objeto.

Talvez, para a pessoa presenteada com a camiseta, nem todo o dinheiro do mundo pudesse convencê-la a vender esse bem fungível.

Em resumo, é possível incutir a qualidade de infungível a um bem fungível, mesmo que juridicamente não faça tanta diferença se de fato se trata de um bem fungível ou não.

Mas é importante destacar que essa infungibilidade é reconhecida apenas por um número bem reduzido de pessoas. No exemplo da camiseta, apenas pelo detentor da camiseta.

Qualquer outra pessoa em posse daquela camiseta não veria problema nenhum em precificá-la com o valor que ela achasse justo.

E essa camiseta então seria vendida sem nenhuma ressalva, pois o comprador também não reconheceria a infungibilidade que seu dono original outrora lhe conferiu.