O Banco Central Europeu aumentou na quinta-feira as taxas de juros pela primeira vez em 11 anos, em uma tentativa de esfriar a inflação sem descarrilar uma economia cada vez mais frágil da zona do euro.

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O conselho de governo do BCE surpreendeu os mercados ao elevar sua taxa de referência em 50 pontos base, ou 0,5 ponto percentual, mais do que o aumento de 25 pontos base que telegrafou em sua reunião de junho. 

Isso levou a principal taxa de depósito do banco central para 0%, de uma baixa recorde de -0,5%.

“O Conselho do BCE julgou apropriado dar um primeiro passo maior em seu caminho de normalização da taxa básica do que o sinalizado em sua reunião anterior”, disse o BCE em comunicado.

"Nas próximas reuniões do Conselho do BCE, será apropriada uma maior normalização das taxas de juros."

O BCE está lidando com um ambiente econômico e político traiçoeiro. 

A inflação na zona do euro, grupo de 19 países que usam o euro como moeda, subiu para um recorde de 8,6% em junho.

O BCE disse ainda que este movimento das taxas de juro “vai apoiar o regresso da inflação ao objetivo de médio prazo do Conselho do BCE, reforçando a ancoragem das expectativas de inflação e garantindo que as condições da procura se ajustam para cumprir o seu objetivo de inflação no médio prazo”. 

A meta de inflação do banco central é de 2%.

No entanto, a economia também está enfraquecendo rapidamente, pois a Rússia limita os fluxos de gás natural para o continente e os preços da energia disparam. 

O Goldman Sachs espera que a Alemanha e a Itália entrem em breve em recessão.

Para aumentar a pressão sobre o banco central, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, renunciou na quinta-feira, mergulhando o país de volta ao caos político poucas horas antes de o BCE anunciar sua decisão. 

O governo da Itália tem enormes dívidas no valor de cerca de 150% do produto interno bruto do país. Impedir que seus custos de empréstimos saiam do controle é uma preocupação fundamental para o BCE.

O aumento da taxa do BCE sinaliza o fim da era de política monetária ultra frouxa que marcou a última década na zona do euro. 

Falando após o anúncio da decisão, a presidente do BCE, Christine Lagarde, descreveu a justificativa para o aumento maior, dizendo: 

“A inflação continua indesejavelmente alta e espera-se que permaneça acima da nossa meta por algum tempo. Os dados mais recentes indicam uma desaceleração no crescimento, obscurecendo as perspectivas para o segundo semestre de 2022 e além.”

O euro disparou após a decisão e subiu 0,8% em relação ao dólar, a US$ 1,026.