O que é bail in

Bail in é um instrumento que oferece fôlego financeiro a empresas em situação de falência, por intermédio do cancelamento de parte das suas dívidas, ficando a cargo dos credores arcar com o prejuízo.

O bail in tem como origem a expressão "too big to fail" que em tradução para o português significa: "grande demais para quebrar."

Vale destacar, que o bail in é considerado uma medida extrema que pode ser adotado pelo governo e seus órgãos reguladores na iminência da falência de grandes empresas.

Na prática, o bail in oferece maior liquidez financeira para as empresas, contribuindo para o reequilíbrio das finanças e, portanto, evitando a falência da organização beneficiada por essa ferramenta. 

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Como funciona o bail in na prática

Como comentado anteriormente, o bail in é um artifício que pode ser utilizado pelo governo para liberar instituições financeiras e outras organizações empresariais do pagamento de dívidas.

Em geral, o bail in é adotado nos casos em que a falência da empresa em questão pode trazer sérios prejuízos à economia do país como um todo, seja em razão da sua importância econômica ou da importância dos seus produtos e serviços para a sociedade.

Para que fique mais claro, imagine que a empresa XYZ, possui valores a receber do Banco A pela venda de produtos ou contratação de serviços. 

No entanto, o Banco A começa a enfrentar uma grave crise financeira, sendo decretado o bail in pelo governo. O que acontece nesse caso?

Em uma situação como a exemplificada acima, a empresa XYZ poderia ficar no prejuízo, assumindo o completo ou parcial ônus da dívida, uma vez que o Banco A estaria legalmente dispensado do pagamento da dívida em questão.

Diferença entre bail in e bail out

Com nomenclaturas semelhantes, tanto o bail in, como também o bail out, são instrumentos empregados em caso de crise financeira aguda e iminente falência de organizações empresariais essenciais para a economia de um país.

No entanto, vale destacar que cada instrumento guarda as suas particularidades e possui diferenças importantes a serem observadas. Confira:

Bail in: Na decretação do bail in, o governo dispensa a empresa beneficiada quanto ao pagamento de determinadas dívidas junto aos seus credores. Logo, há um perdão e esquecimento da dívida.

Nesse caso, os credores acabam arcando com o ônus relativo à falta de pagamento da empresa beneficiada pelo bail in.

Bail out: Por sua vez, no bail out, o governo não adota um perdão da dívida junto aos credores, mas utiliza seus próprios recursos para pagar dívidas ou para comprar ativos ruins da empresa beneficiada.

Neste modelo de intervenção, o governo acaba fazendo uso de recursos públicos para socorrer a empresa, devido a sua significativa importância e ao mesmo tempo não penalizar os credores.

Vale destacar, que no bail out, a empresa beneficiada recebe auxílio do governo e precisa cumprir o compromisso com seus credores.

Diferentemente do bail out, no bail in, a empresa beneficiada não recebe auxílio econômico do dinheiro, mas sim, o direito de não honrar o pagamento de determinadas dívidas.

Principal evento recente de bail in

Podemos citar como exemplo de bail in, a intervenção promovida pelo governo do Chipre, pequeno país europeu no Bank Cyprus, em 2013.

Na ocasião, o banco que é considerado o mais importante do país estava prestes a falir devido a uma grave crise. Assim sendo, o governo acabou recorrendo a estratégia do bail in.

Com isso, quem tinha mais de 100 mil euros em depósitos na instituição acabou perdendo parte desse dinheiro.

Em contrapartida, visando amenizar os prejuízos, essas pessoas receberam ações do banco. No entanto, essas ações estavam significativamente desvalorizadas devido a situação que o banco se encontrava.