A B3 lança nesta terça-feira (15) um novo índice para reconhecer a diversidade de gênero e raça nas empresas de capital aberto. 

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Chamado de Idiversa, o novo índice oferece a possibilidade de avaliação da diversidade do quadro de funcionários ao conselho de administração.

Um total de 75 companhias foram agrupadas e formam a primeira carteira teórica do índice criado para ser referência em teses de investimentos baseadas em diversidade.

O IDIVERSA B3 é o primeiro índice latino-americano a combinar em um único indicador critérios de gênero e raça para selecionar as empresas que irão compor a carteira. 

"Diferentemente de outros índices já existentes que olham só para gênero ou raça, estamos trabalhando com uma tese de agrupamento ao considerar os dois grupos socialmente minorizados. Isto deve ajudar a induzir práticas ESG no mercado, e trazer mais uma tese de investimento", diz Ana Buchaim, vice-presidente de pessoas, marketing, comunicação, sustentabilidade e investimento social privado da B3.

O Idiversa é o décimo índice da família de indicadores ESG disponibilizados pela B3.

"Sabemos que a jornada de diversidade em ESG é questão de tempo e comprometimento. O índice ajuda as companhias a se comprometerem com diversidade em todos os níveis hierárquicos. E na medida que vamos trazendo mais dados e informações sobre representatividade, o índice também vai evoluir", diz Ana Buchaim.

Como o Idiversa é formado?

A primeira carteira do Idiversa é formada por 75 empresas, com 79 ativos (ações e units) exclusivamente de companhias listadas na B3, representando dez setores da economia. 

A carteira passará por reponderações em janeiro, maio e setembro de 2024. O rebalanceamento segue o cronograma usual da B3, quando as composições de todos os demais índices são divulgadas.

Os 10 ativos com os maiores pesos na composição da carteira são:

Carteira Idiversa agosto/setembro 2023

CompanhiaAçãoPeso (em %)
Banco do BrasilBBSA34,4259
Hypera PharmaHYPE33,4060
Raia DrogasilRADL33,3705
SabespSBSP33,1427
RennerLREN33,0945
PetrobrasPETR43,0093
Equatorial EnergiaEQTL32,9405
PetrobrasPETR32,9203
AssaíASAI32,8574
LocalizaRENT32,7656

Fonte: B3

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O índice foi construído com base em dados públicos disponíveis no Formulário de Referência (FRe), um requisito anual exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para empresas de capital aberto. 

A partir deles, as empresas devem apresentar o número de funcionários e de integrantes dos órgãos de administração e conselhos das companhias agrupados por gênero e raça.

Com esses dados, a B3 calcula uma nota para cada companhia, o chamado Score Diversidade, que leva em conta o setor de atividade.

Para fazer parte do índice, é preciso atender aos critérios de elegibilidade:

  • Estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade (IN), representem em conjunto 99% (noventa e nove por cento) do somatório total desses indicadores (ver Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3).
  • Ter presença em pregão de 95% (noventa e cinco por cento) no período de vigência das 3 (três) carteiras anteriores.
  •  Não ser classificada como “Penny Stock” (ver Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3).
  •  Apresentar um Score Diversidade B3 (ver Anexo) maior ou igual a média subtraída do desvio padrão do Setor Econômico B3.
  • Ter pelo menos um representante dos grupos subrepresentados no CA (Conselho de Administração), como membro efetivo.
  •  Ter pelo menos um representante dos grupos subrepresentados na Diretoria Estatutária.

Carteira Idiversa agosto/setembro por setores

SetorPeso (em %)
Bens Industriais2,3
Utilidade Pública19,2
Saúde9,9
Tecnologia da Informação3,7
Materiais Básicos3,1
Comunicações2,1
Financeiro29,6
Consumo Cíclico13,1
Petróleo, Gás e Biocombustíveis10,8
Consumo não Cíclico6,3

Fonte: B3

"O Idiversa adota critérios objetivos e isso é importante para destravar o desenvolvimento do mercado a partir de novos produtos de fundos ou para ajudar o investidor focado em escolher ações individualmente ('stock picking') e que buscam por companhias com melhor desempenho financeiro em relação a gênero e raça", sustenta Ana.

Por outro lado, a referência ainda não permite identificar o avanço das empresas acerca da participação de LGBTQIA+ nem de pessoas com algum tipo de deficiência (PCDs) na composição das companhias.

Ana explica que neste momento ainda não há dados públicos sobre os dois recortes junto à CVM. "De maneira geral, nas empresas não há uma só forma de sistematizar as informações de profissionais com algum tipo de deficiência. E no caso de funcionários LGBTQIA+, há barreiras para a própria coleta das informações pelas companhias", diz.

Fonte: Valor Investe

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