André Lara Resende: BNDS, Plano Real e Livros do Economista
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André Lara Resende: BNDS, Plano Real e Livros do Economista

Conheça a trajetória de um dos economistas mais influentes de sua geração que fez parte da equipe de implementação do Plano Real.

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Atualizado em 08/02/2021

Com grande atuação na área pública, o economista brasileiro, André Lara Resende, tem seu nome marcado na história econômica do país.

Há mais de quarenta anos no mercado financeiro, trabalhou nos governos dos ex-presidentes José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Também atuou no conselho de diversas empresas e como banqueiro, à frente de instituições financeiras privadas.

Contudo, foi no período em que assumiu cargos relevantes em algumas instituições públicas que seu nome ficou em evidência.

Ao lado de outros especialistas, participou do Plano Cruzado e é um dos idealizadores do Plano Real.

Saiba mais da trajetória desse importante economista e suas obras e artigos que dividem opiniões entre os especialistas.

Quem é André Lara Resende

André Lara Resende é um banqueiro e economista brasileiro, ex-diretor do Banco Central e presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.  

Fez parte da equipe econômica que elaborou o Plano Real, em 1994, que promoveu o fim da inflação elevada e estabilização da economia brasileira.

André Lara Resende também trabalhou no Banco de Investimentos Garantia, no Unibanco e foi sócio fundador do Banco Matrix.

Nome Completo: André Pinheiro de Lara Resende

Data de nascimento: 24/04/1951

Idade: 70

Nacionalidade: Brasileiro

Formação: Economista

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Vida e carreira

André Pinheiro de Lara Resende nasceu dia 24 de abril de 1951, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Filho do jornalista e escritor Otto Lara Resende com Helena Pinheiro Guimarães.

Formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 1973, fez o mestrado em economia na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1975.

Ainda no campo acadêmico, obteve o título de PhD em economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, em 1979.

De volta ao Brasil, ainda em 1979, iniciou sua carreira como professor de economia na PUC-Rio, onde permaneceu até 1988.

Paralelamente às suas atividades docentes, também começou sua trajetória de banqueiro.

Em 1980 tornou-se diretor administrativo e sócio, juntamente com o bilionário Jorge Paulo Lemann, do Banco de Investimentos Garantia, uma das primeiras instituições de investimentos do país, permanecendo até 1985.

De 1984 a 1985, também foi diretor externo da Companhia Ferro Brasileiro, cargo que voltaria a ocupar entre 1987 e 1990.

Entre 1985 e 1986, o economista trabalhou no Conselho de Administração do Banco Central (BC).

Junto com Pérsio Árida, elaboraram planos para reverter o cenário econômico deixado pelo período da Ditadura militar, além de planejarem o Plano Cruzado.

Em 1987, após deixar sua função no BC, André Lara Resende retornou à iniciativa privada, voltando a atuar na função de diretor para o Banco Garantia, onde permaneceu por cerca de um ano.

Ainda em 1987, foi contratado como diretor externo das Lojas Americanas (LAME4), função que desempenhou até 1989.

Também se tornou diretor executivo do Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas e membro do conselho diretor e vice-presidente executivo da União de Bancos Brasileiros – UNIBANCO, posição que esteve até 1993.

Em 1990, Resende começou a integrar o conselho do The Capital Group, sediada em Los Angeles, Estados Unidos, cargo que ocupou por sete anos.

No ano de 1993, junto de Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende se tornou um dos fundadores do Banco Matrix.

No mesmo ano, o então Presidente da República, Itamar Franco, o nomeou para o cargo de negociador-chefe da dívida externa nacional.

Permaneceu no governo de Fernando Henrique Cardoso como assessor especial da presidência e fez parte da equipe que implementou o Plano Real.

Em abril de 1998, Resende foi nomeado para presidência do BNDES.

Sete meses depois foi obrigado a renunciar devido ao escândalo do grampo do BNDES, que também derrubou seu ex-sócio Luiz Carlos Mendonça de Barros da chefia do Ministério das Comunicações.

Em 2009, a Justiça Federal inocentou André Lara e Luís Carlos da acusação de terem conduzido ilegalmente a privatização do Sistema Telebrás.

Durante a primeira década dos anos 2000, Resende deu continuidade às suas atividades na iniciativa privada, sobretudo integrando o conselho de grandes empresas, como a Gerdau S.A (GGBR3) e a Faculdade IBMEC.

Em agosto de 2006, recebeu o prêmio de “Economista do Ano” pela Ordem dos Economistas do Brasil.

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Carreira pública de André Lara Resende

André Lara Resende tem seu nome relacionado à marcantes atuações nos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, participando do Plano Cruzado e Plano Real.

Entre 1985 e 1986, Lara Resende integrou o Conselho de Administração do Banco Central (BC) respondendo pelas questões relativas à dívida pública e ao mercado aberto.

Ao lado dos economistas Arida e Edmar Bacha e dos ministros do Planejamento do então governo do presidente José Sarney (1985-1990), André Lara Resende participou da elaboração do Plano Cruzado.

O objetivo era conter a inflação, que em fevereiro de 1986, havia atingido a taxa anual de 250%.

O plano previa a criação de um novo padrão monetário, o cruzado, de valor mil vezes maior que o do cruzeiro, a extinção da correção monetária, a estabilização cambial e o congelamento de preços e salários.

Os resultados iniciais foram positivos, porém, não conteve a alta dos preços.

Em 1993, ele volta ao setor público nomeado pelo então presidente Itamar Franco (1992-1994) como negociador-chefe da dívida externa nacional.

Com a posse de  Fernando Henrique Cardoso, em 1995, Lara Resende assumiu o cargo de assessor especial da Presidência.

Nesse período, também participou da equipe econômica que implementou o Plano Real, programa de estabilização da economia brasileira.

Mais tarde, em abril de 1998, o economista assumiu a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em substituição a Luís Carlos Mendonça de Barros, seu sócio no Banco Matrix, que fora designado para ocupar a pasta das Comunicações.  

Permaneceu apenas sete meses no cargo por conta do escândalo do “grampo do BNDES”.

Na época, por meio de conversas telefônicas grampeadas de forma clandestina, ele e Mendonça de Barros foram acusados de terem conduzido ilegalmente a privatização do Sistema Telebras.

A acusação era de terem privilegiado a empresa Opportunity Asset Management Ltda,  que tinha como sócio-diretor um velho amigo de Lara Resende, o economista Pérsio Arida, na aquisição do controle acionário em um dos leilões de privatização do Sistema Telebrás.

Lara Resende e Mendonça de Barros foram indiciados pelo Ministério Público, sob a acusação de improbidade administrativa e Arida deixou a direção do Opportunity.

Em outubro de 1999, o Tribunal de Contas da União (TCU) absolveu os acusados e determinou o arquivamento do caso.

André Lara Resende no setor privado

Além da carreira em órgãos públicos, o economista brasileiro também trabalhou em bancos e integrou o conselho de algumas empresas.

Ainda na década de 1980, foi sócio e diretor administrativo do Banco Garantia.

Resende atuou em dois períodos na instituição financeira. Primeiro de 1980 a 1985 e, mais tarde, entre 1987 e 1988. No intervalo se dedicou à elaboração do Plano Cruzado.

Durante praticamente o mesmo período, também ocupou o cargo de diretor externo da Companhia de Ferro Brasileiro.

No início da década de 1990, Lara Resende passou a fazer parte do conselho do Itaú – Unibanco.

Em 1993, fundou juntamente com Luís Carlos Mendonça de Barros e mais três sócios o Banco Matrix.

Atuando nos mercados de renda fixa e câmbio, e na administração de recursos de terceiros, inclusive do exterior, o Matrix viria a ser, em 1995, o banco de maior rentabilidade do país.

O economista também foi diretor externo das Lojas Americanas e diretor executivo do Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas.

Mais tarde, integrou por sete anos o conselho do The Capital Group, com sede em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Passou a fazer parte do conselho de administração da RB Capital e de empresas como a Gerdau S.A., Metalúrgica Gerdau S.A. e Faculdade IBMEC.

Também integrou o conselho consultivo da Fundação Israel Pinheiro (FIP) e tornou-se sócio-diretor da Lanx Capital Investimentos.

Livros do economista André Lara Resende

André Lara Resende é autor de livros e diversos artigos publicados na mídia.

Crítico da teoria econômica convencional vem defendendo a Teoria Moderna da Moeda, também chamada de Teoria Monetária Moderna (MMT, em inglês).

O tema controverso foi inclusive abordado em um de seus livros.

Consenso e contrassenso: Por uma economia não dogmática

Lara Resende analisa as relações entre as políticas fiscal e monetária sob a ótica da Teoria Moderna da Moeda.

Além de criticar a teoria econômica convencional, apresentar e analisar possibilidades para o Brasil, o autor aborda temas ainda mais polêmicos, mostrando que a emissão da moeda nem sempre causa inflação.

Os limites do possível: A economia além da conjuntura

Para Resende o crescimento econômico não pode ser mais tratado como um fator que irá desencadear, instantaneamente, uma melhora na qualidade de vida da população.

Afirma também que o mundo está cada vez mais interligado, fazendo com que os temas discutidos dentro dos Estados passem a ser parte de uma agenda global.

Juros, moeda e ortodoxia – Teorias monetárias e controvérsias políticas

No livro que divide opiniões, André Lara Resende reflete sobre as origens e o desenvolvimento da teoria monetária e suas implicações no contexto brasileiro.

A principal polêmica está na sua visão sobre a taxa de juros, defendendo que os juros nominais são sinalizadores importantes da inflação e que os juros altos podem contribuir para o desequilíbrio fiscal.

Devagar e simples

O livro reúne 13 artigos do economista que abordam questões como a necessidade de um ajuste fiscal profundo, do tamanho do Estado e de suas funções.

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